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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Estou, mas já fui embora.

Há momentos em que a presença se torna apenas formal. O corpo permanece, cumpre horários, ocupa espaços; mas algo essencial já não está ali. Quem nunca se sentiu assim: esvaziado, sem função na vida, no trabalho, na família? Quem nunca teve a sensação de que lhe arrancaram o gosto pela existência, pela possibilidade simples de respirar o ar, sentir o sol na pele, caminhar entre os demais e experimentar alegria apenas por estar ali? Para muitos, a vida é uma dádiva. Há agradecimentos rotineiros, por tudo, pelo pouco, pelo muito e, às vezes, até pelo nada. Essa parece ser uma virtude rara: a capacidade quase sobrenatural de ser grato, mesmo quando o cenário não oferece grandes razões. Mas, infelizmente, para outros, a vida é cruel. Não necessariamente porque lhes falte a capacidade de agradecer, mas porque o arranjo da própria existência lhes foi imposto de forma tão dura, tão marcada por dores, mágoas e problemas, que a imersão no sofrimento acaba por turvar o olhar. Torna-se difícil,...